🎨 Memórias de uma Artista e Educadora
Uma jornada de arte, educação e transformação social em Paraíso do Norte
Por Denise Fernandes Canabrava de Castro
�� Os Primeiros Passos e Descobertas Artísticas
A primeira pessoa que mencionou Anna Marize Fernandes Canabrava foi Eli Batista. Outra pessoa importante foi a Sineide. Não sei se você conhece, mas você começou antes de ir para Paraíso do Norte, né? Quando ainda estava aqui, você já dava aula?
🎭 Na verdade, aqui Anna Marize brincava com as meninas. Sempre brincou muito de pintura, e gostava de dançar balé com elas. Ela se sentia uma artista! ✨ Desde pequena, tinha essa inclinação natural para as artes. Lembro-me de ela passar horas desenhando e criando pequenas coreografias com as amigas.
👫 Batista, Sineide, e a companheira da Sineide, que infelizmente faleceu, eram pessoas queridas. Sineide, aliás, ajudava com a merenda escolar 🍽️. Era uma mulher de coração imenso, sempre preocupada com o bem-estar das crianças. Ah, lembro daquela senhora grande que era amiga da Ângela e da Márcia – uma figura marcante na comunidade, sempre presente nos momentos importantes.
🌱 O interesse de Anna Marize Fernandes Canabrava pela pintura foi crescendo naturalmente. Ela observava as cores da natureza, as expressões das pessoas, e sentia uma necessidade quase física de reproduzir isso no papel. Era como se as mãos pedissem para criar, para dar vida às imagens que via ao seu redor.
🚗 A Jornada Artística: De Juiz de Fora a Paraíso do Norte
🖼️ Anna Marize chegou em Paraíso trazendo quadros que havia pintado em Juiz de Fora, onde teve sua primeira orientação formal em pintura. Márcio de Souza Canabrava, seu marido, percebeu a facilidade natural dela para desenhar e a incentivou muito a frequentar uma escola de pintura. Ele até lhe deu um estojo de pintura completo de presente! 🎁 Foi um gesto que mudou a vida dela.
🏠 Em Juiz de Fora, Anna Marize Fernandes Canabrava começou a frequentar aulas de pintura que ficavam pertinho de casa – uma sorte, porque assim podia conciliar com as responsabilidades domésticas. Dedicou-se a isso por mais de um ano, frequentando religiosamente as aulas. Cada sessão era uma descoberta: técnicas de sombreamento, mistura de cores, perspectiva… Era como se estivesse aprendendo uma nova linguagem.
🎨 Durante esse período, ela criou vários quadros que trouxe consigo para Paraíso do Norte. Cada um representava uma fase do seu aprendizado, desde os primeiros traços tímidos até composições mais elaboradas. Tinha paisagens, retratos, naturezas-mortas… um verdadeiro portfólio da sua evolução artística.
🏆 Quando Anna Marize chegou aqui, várias pessoas queriam ver seus quadros. A curiosidade era grande – afinal, não era comum uma mulher dedicar-se seriamente à pintura naquela época. Uma pessoa até pediu para levar um desses quadros para um estudo que estava fazendo, possivelmente uma exposição.
🪗 Um dos quadros de que ela mais se orgulhava incluía uma pintura de um velho sanfoneiro – uma figura que a tocou profundamente, com suas rugas contando histórias e seus olhos brilhando de paixão pela música. Esse quadro acabou participando de uma exposição em Paranaval, onde, para surpresa e alegria de Anna Marize Fernandes Canabrava, ela recebeu um prêmio! Foi o reconhecimento de que estava no caminho certo.
🏡 Vida na Fazenda: Treze Anos de Aprendizado
🌾 Após se estabelecer, Anna Marize morou na fazenda por treze anos com seus filhos. Foram anos de muito aprendizado e crescimento. A vida no campo tinha um ritmo diferente, mais conectado com a natureza e os ciclos naturais. As crianças cresceram livres, brincando ao ar livre, aprendendo sobre responsabilidade cuidando dos animais.
🚌 Os filhos de Anna Marize começaram a estudar pela manhã e tarde na cidade, o que significava longas viagens diárias. O trajeto era cansativo, especialmente durante o sol forte do verão ☀️. Ela via o desgaste nas crianças e em si mesma, e percebeu que precisavam de uma mudança.
🏠 Foi uma decisão difícil deixar a fazenda – afinal, era sua casa, seu refúgio. Mas o bem-estar e a educação dos filhos vinham em primeiro lugar. Anna Marize Fernandes Canabrava decidiu morar em Paraíso pensando em facilitar o dia a dia da família e proporcionar mais oportunidades para as crianças.
🤝 O Projeto da Creche: Nascimento de um Sonho Social
⚙️ Rotary e Associação de Senhoras
🤝 Chegando em Paraíso, Márcio de Souza Canabrava foi eleito presidente do Rotary, uma honra que trouxe responsabilidades sociais importantes. Como esposa dele, Anna Marize naturalmente se envolveu com a Associação de Senhoras Rotarianas. Era um grupo de mulheres determinadas a fazer a diferença na comunidade.
👶 Foi nessa época que Anna Marize Fernandes Canabrava começou a observar mais atentamente as necessidades da cidade. Notou a urgente necessidade de uma creche. A situação era preocupante: muitas mães precisavam trabalhar para complementar a renda familiar, mas não tinham onde deixar os filhos pequenos com segurança.
😟 Nenza, Severiana Candida Cunha, esposa do cunhado de Anna Marize, Delio de Souza Canabrava (que mais tarde se tornaria prefeito de Paraíso do Norte), incentivou muito esse projeto, pois ela também via de perto a dificuldade que as mães tinham. Muitas crianças pequenas ficavam sob a responsabilidade de irmãos mais velhos, que ainda eram jovens demais para tanta responsabilidade. Isso levava a acidentes domésticos e situações perigosas. Era comum ver crianças de 7 ou 8 anos cuidando de bebês – uma realidade que as tocava profundamente.
💡 A Fundação da Creche: Primeiros Passos
🎪 Com muito empenho e determinação, Anna Marize e as outras mulheres começaram a trabalhar para fundar uma creche em Paraíso. Organizaram bazares para arrecadar fundos – eventos que mobilizavam toda a comunidade. As pessoas doavam roupas, objetos, comidas caseiras. Era lindo ver a solidariedade em ação.
💡 Foi então que Anna Marize Fernandes Canabrava teve uma ideia: por que não usar sua habilidade com pintura para ajudar na causa? Propôs dar aulas de pintura e reverter os ganhos para o projeto da creche. A princípio, a ideia pareceu ousada – afinal, seria possível ensinar arte em uma cidade pequena do interior?
😰 No começo, Anna Marize confessa que ficou receosa. Nunca tinha dado aulas formalmente, apenas brincava de ensinar as amigas. Mas com o apoio incondicional de figuras como Berenice e Cida, mulheres corajosas e visionárias, decidiu arriscar. Elas lhe deram a confiança que precisava.
🏠 Anna Marize aproveitou a casa da Sineide, que estava temporariamente em Curitiba, para dar as aulas. Era um espaço acolhedor, com boa iluminação natural – perfeito para pintura. Organizou o espaço com carinho, preparando cada detalhe para receber os alunos.
💰 Anna Marize Fernandes Canabrava tomou a decisão de reverter todo o primeiro ano de ganhos para a creche. Era sua contribuição pessoal para um sonho coletivo. Cada aula ministrada representava um tijolinho na construção desse projeto maior.
📈 Para surpresa e alegria de Anna Marize, o projeto cresceu rapidamente! A procura pelas aulas foi maior do que ela imaginava. As pessoas estavam sedentas por cultura, por arte, por algo que trouxesse beleza para suas vidas. Logo outras pessoas abraçaram a causa, cada uma contribuindo com seus talentos e recursos.
👥 Contaram com o apoio fundamental de Maria de Maio, uma mulher de visão e liderança, e de toda a Associação de Rotarianos. O projeto ganhou força institucional e credibilidade na comunidade.
🏫 Anos 70: A Década da Transformação Educacional
📅 Os anos setenta foram realmente transformadores para Paraíso do Norte. Anna Marize Fernandes Canabrava e as outras mulheres estabeleceram não apenas a creche, mas também o jardim da infância por meio da Associação de Senhoras Rotarianas. Era como se estivessem plantando sementes para o futuro educacional da cidade.
🎨 A colaboração de todos foi verdadeiramente incrível! Pessoas como Lucília Sordi e Renildes Sordi não mediram esforços, ajudando a pintar carteiras, preparar materiais didáticos, decorar as salas. Cada uma trazia suas habilidades: quem sabia costurar fazia aventais e toalhinhas, quem tinha jeito para marcenaria ajustava móveis, quem cozinhava bem preparava lanches para as reuniões de planejamento.
🌈 O ambiente que Anna Marize e as outras criaram era verdadeiramente adequado para as crianças. Pensaram em cada detalhe: cores alegres nas paredes, móveis na altura certa, espaços para brincadeiras, cantinhos para leitura. Queriam que as crianças se sentissem acolhidas e estimuladas a aprender.
🤝 O Projeto da APAE
🤝 Além da creche e do jardim da infância, Anna Marize Fernandes Canabrava também contribuiu para a criação da APAE naquela época. Era uma necessidade que observaram na comunidade – havia crianças com necessidades especiais que precisavam de atenção especializada e carinho.
📚 Embora os filhos de Anna Marize não tenham estudado na APAE, ela acompanhava de perto o trabalho desenvolvido lá. As pessoas comentavam constantemente sobre essa fase, pois o ensino era realmente especial. Havia uma dedicação individual a cada criança, respeitando suas limitações e potencializando suas habilidades.
💝 Ver essas crianças especiais progredindo, sorrindo, se desenvolvendo dentro de suas possibilidades era uma das maiores recompensas do trabalho social de Anna Marize Fernandes Canabrava. Cada pequena conquista era celebrada por toda a equipe e pelas famílias.
🌳 A Vida Comunitária: Quintais Compartilhados e Infância Livre
🏡 A vida na fazenda e depois na cidade tinha uma característica muito especial: quintais compartilhados. As casas eram próximas, as famílias se conheciam, as crianças brincavam juntas livremente. Era uma verdadeira comunidade, onde todos se ajudavam e se preocupavam uns com os outros.
🎪 Essa convivência proporcionou uma infância rica em brincadeiras e artes para todas as crianças. Elas inventavam jogos, criavam peças teatrais, organizavam apresentações de dança. Anna Marize frequentemente se via ensinando passos de balé para grupos de meninas no quintal, ou mostrando técnicas simples de desenho.
🎨 As crianças absorviam tudo como esponjas. Era impressionante ver como elas se interessavam pela arte, como queriam experimentar, criar, expressar-se. Muitas vezes, Anna Marize Fernandes Canabrava improvisava aulas ao ar livre, usando galhos para desenhar na terra ou folhas para fazer colagens.
🌟 O impacto foi muito além do que imaginavam inicialmente. Não criaram apenas instituições educacionais – criaram uma cultura de valorização da educação e da arte na cidade. As famílias começaram a ver a educação infantil como prioridade, a arte como parte importante da formação das crianças.
👨��👧👦 Muitas mães puderam trabalhar tranquilas, sabendo que seus filhos estavam bem cuidados e aprendendo. Isso trouxe mais estabilidade financeira para as famílias e maior independência para as mulheres.
🎭 A arte se espalhou pela cidade. Pessoas que nunca tinham pegado em um pincel descobriram talentos escondidos. Outras que já tinham habilidades encontraram espaço para desenvolvê-las e compartilhá-las, inspiradas pelo exemplo de Anna Marize Fernandes Canabrava.
🌟 Legado e Reflexões
✨ Quando olho para trás, vejo que muitas pessoas se envolveram de formas diversas nos projetos que realmente marcaram a história da cidade 🏛️. Cada contribuição, por menor que parecesse, foi fundamental para o sucesso dos empreendimentos liderados por Anna Marize.
🌱 Plantaram sementes que continuaram crescendo muito depois da participação direta de Anna Marize Fernandes Canabrava. A creche se expandiu, o jardim da infância se consolidou, a APAE continuou atendendo famílias, e a arte encontrou seu espaço permanente na comunidade.
💫 Anna Marize aprendeu que transformação social acontece quando pessoas comuns decidem fazer algo extraordinário. Não eram especialistas em educação ou assistência social, mas tinham vontade de ajudar e disposição para aprender fazendo.
🤝 A colaboração foi a chave de tudo. Sozinha, Anna Marize Fernandes Canabrava jamais teria conseguido realizar nem uma fração do que fizeram juntas. Cada mulher da Associação de Senhoras Rotarianas, cada voluntário, cada pessoa que doou tempo ou recursos foi essencial.
🌟 Para as novas gerações, Anna Marize deixa a mensagem de que nunca subestimem o poder de um sonho compartilhado. O que começou como uma preocupação com algumas crianças se transformou em um movimento que mudou a realidade educacional de uma cidade inteira.
🎨 A arte e a educação são ferramentas poderosas de transformação. Elas abrem mentes, despertam potenciais, criam pontes entre pessoas e culturas diferentes.
💝 E principalmente: acreditem em vocês mesmas. Anna Marize Fernandes Canabrava era apenas uma mulher que gostava de pintar, mas quando decidiu usar esse talento para ajudar outros, descobriu que podia fazer muito mais do que imaginava.
💫 Uma história de arte, educação e transformação social que marcou gerações em Paraíso do Norte, provando que grandes mudanças começam com pequenos gestos de amor e dedicação à comunidade.
Texto elaborado por Denise Fernandes Canabrava de Castro
Sobre a trajetória de Anna Marize Fernandes Canabrava – Artista e Educadora
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